Diego Menezes defende ciência como base da soberania nacional em abertura do XI Congresso ABIPTI
“Não há ciência livre sem democracia, e não há democracia plena sem ciência.” Com essa afirmação, o presidente da ABIPTI, Diego Menezes, abriu oficialmente nesta segunda-feira (4), o XI Congresso da ABIPTI, edição comemorativa dos 45 anos, edição comemorativa da instituição, em São Paulo.
Anfitrião do evento, Menezes deu as boas-vindas a autoridades, pesquisadores e representantes do setor produtivo e convidou os participantes a encararem o congresso como “uma festa de ideias, de encontros e de construção de futuro”.
Compuseram a mesa de abertura o Secretário de Desenvolvimento e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, representando a Ministra Luciana Santos; o Senador Laércio Oliveira; o Presidente da Finep, Luiz Antônio Elias; o sócio do Itaú Unibanco, Leandro Lima; a ex-Ministra de Ciência de Portugal, Margarida Mano; o ex-Ministro Sérgio Machado Rezende; o Conselheiro do CNE, Paulo Fossatti, representando o MEC; o Presidente da ANPG, Vinícius Soares; e do vice-presidente da ABIPTI, Carlos Ribas.
Em seu discurso, Menezes destacou que a ABIPTI nasceu em 1981, “em tempos sombrios da ditadura”, pelas mãos do visionário Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque, cresceu na redemocratização e chega aos 45 anos convicta de que “ciência que não chega a todos não é ciência”.
O presidente defendeu que soberania tecnológica só faz sentido se for “de todas e todos” e alcance do Norte ao Sul do país, ajudando a corrigir assimetrias. “Soberania não é apenas desenvolver tecnologia, mas ter capacidade de usá-la de forma autônoma para promover transformação social democrática, inclusiva e justa”, afirmou.
Com o tema central “Soberania Tecnológica e o Fortalecimento da Ciência e da Inovação”, o congresso acontece até 6 de maio com programação intensa. Entre os temas em debate: energias, saúde, biotecnologia, nova indústria, ecossistemas de inovação, arcabouço legal de CT&I, inteligência artificial e propriedade intelectual.
“Vivemos um mundo onde disputas geopolíticas se travam no campo da tecnologia. O país que define seu destino no século XXI é aquele tecnologicamente bem-preparado”, pontuou Menezes, citando as guerras “explícitas e silenciosas no mundo dos algoritmos, das patentes e do controle de insumos críticos”.
O presidente da ABIPTI ressaltou que o Brasil tem “biodiversidade incomparável, matriz energética invejável, talentos de classe mundial e uma rede de ICTs com capilaridade ímpar”. Para ele, o avanço necessário é utilizar os ICTs como “instrumentos de política pública e parceiros estratégicos da nação” para reduzir dependências externas e democratizar o acesso à inovação.
Menezes reconheceu avanços como o não contingenciamento do FNDCT e o debate da Nova Indústria Brasil, mas fez um “chamado à cooperação”. “Os ICTs não pedem protagonismo por vaidade. Pedem espaço porque têm capacidade de entrega, pedem integração porque podem gerar impacto”, disse.
Chamado à inteligência coletiva
“Não existe soberania por procuração. Temos a matéria-prima mais rara: nossos talentos. E se não os cultivarmos, eles migrarão para contribuir com a soberania de outros países”, alertou.
Ao encerrar, reforçou que o congresso não é uma festa qualquer. “É uma festa de construção de futuro. Que saiamos daqui não apenas com boas reflexões, mas com compromissos concretos. A ciência brasileira não é periférica. Ela é central para o futuro do Brasil. Vamos juntos construir o futuro”.
Realizado de 4 a 6 de maio de 2026, em São Paulo, o XI Congresso da ABIPTI celebra os 45 anos da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação. Com o apoio do ICTi Itaú Unibanco, Finep e CNPq, o evento reúne gestores de ICTs, universidades, governo e setor produtivo para discutir políticas públicas e estratégias para a soberania tecnológica nacional.