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Soberanis tecnológica une P&D Brasil, Anprotec, CNI e Fortec em debate sobre o futuro da inovação no país

12/05/2026
Rosilda Prates, Adriana Ferreira, Daniel Pimentel, Jefferson Gomes e Ana Torkomian debatem financiamento, spin-offs, NITs e qualificação técnica em painel que marcou os 45 anos da entidade

O fortalecimento dos ecossistemas brasileiros de inovação e a urgência de destravar o financiamento para deep techs foram os principais temas do Painel 4 do XI Congresso da ABIPTI, realizado nesta terça-feira, em celebração aos 45 anos da entidade. Com o tema “Ecossistemas de Inovação Brasileiro”, o encontro reuniu lideranças do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI), articulando visões da indústria, academia, ambientes de inovação e startups.

A mediação ficou a cargo de Rosilda Prates, Presidente Executiva da P&D Brasil, que destacou o papel da entidade no debate nacional. “Estar nesse palco representa um compromisso com o debate qualificado de que o país precisa para avançar em ciência, tecnologia e inovação.”

Abrindo o painel, Adriana Ferreira Faria, presidente da Anprotec, ressaltou o simbolismo da data. “Celebrar 45 anos da ABIPTI é celebrar o próprio ecossistema brasileiro de CT&I. Para nós, não há soberania tecnológica sem instituições de pesquisa e ambientes de inovação fortes. Estar aqui é uma honra.”

A Anprotec e diretora do tecnoPARQ/UFV, apresentou um panorama sobre os ecossistemas brasileiros de inovação, ressaltando avanços na produção científica, gargalos estruturais e o papel estratégico dos parques tecnológicos e incubadoras.

De acordo com Adriana, entre 2011 e 2024, a produção científica brasileira cresceu 80%, passando de 55 mil para mais de 91 mil artigos publicados, alcançando níveis comparáveis à Coreia do Sul. O país ocupa a 14ª posição mundial em volume de produção, mas ainda enfrenta baixa visibilidade acadêmica, com fator de impacto médio de 0,86, o que o coloca em 47º lugar entre 51 países avaliados.

“O Brasil tem volume expressivo de ciência, mas ainda precisa avançar em impacto e reconhecimento internacional”, afirmou Adriana.

Segundo sua apresentação, em 2023, o Brasil registrou 27.908 pedidos de patentes, mas apenas 23% foram de residentes. No mesmo ano, o país obteve 445 concessões de patentes nos Estados Unidos, contra mais de 22 mil da Coreia do Sul. “Existe um vale da morte entre ciência e inovação. Precisamos fortalecer os mecanismos de transferência de tecnologia e transformar propriedade intelectual em riqueza para a sociedade”, destacou a presidente da Anprotec.

Adriana disse que, entre 2017 e 2023, os parques tecnológicos brasileiros registraram aumento de 133% nos pedidos de propriedade intelectual. O faturamento das empresas vinculadas saltou de R$ 5,6 bilhões para R$ 15,1 bilhões, com geração de mais de 75 mil empregos em 2023. “Os parques e incubadoras são ambientes estratégicos para atravessar o vale da morte e transformar ciência em inovação aplicada”, afirmou.

Na sequência, Daniel Pimentel Neves, presidente da Emerge, apresentou dados inéditos do Deep Techs Radar Brasil 2025, que mapeou 952 startups deep techs no país, com forte concentração no Sudeste.

“Cerca de 56% das deep techs inscritas se declaram spin-offs acadêmicas. A USP sozinha responde por um quinto de todos os spin-offs. O protagonismo das universidades públicas é indiscutível, mas sua atuação ainda é pouco distribuída. Expandir essa capacidade é condição essencial para transformar riqueza científica em inovação com alcance regional.”

Daniel também chamou atenção para os gargalos de financiamento. “É um funil estreito: muitas startups encontram apoio no início, mas poucas avançam para fases de maior maturidade.”

Ana Lúcia Vital Torkomian, presidente do FORTEC, reforçou a importância dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs). “O Brasil produz ciência de excelência, mas ainda tem um desafio grande na transformação desse conhecimento em inovação e riqueza para a sociedade. Os NITs são a ponte entre a academia e o setor produtivo.”

Ela defendeu a aplicação plena do Marco Legal de CT&I e o uso estratégico da propriedade intelectual. “Não basta gerar patente. Precisamos transformar propriedade intelectual em produto, emprego e solução para a sociedade.

O painel contou ainda com Jefferson Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da CNI, que reforçou a necessidade de colaboração orgânica entre universidades, governos, startups e grandes empresas: “Ecossistemas eficientes operam baseados na interação e no alinhamento de interesses, reduzindo barreiras contratuais formais para acelerar a criação de valor conjunto.”

Entre os entraves apontados, destacaram-se a falta de qualificação técnica e a dificuldade de acesso ao crédito, apesar da disponibilidade de recursos do FNDCT e BNDES.

O XI Congresso ABIPTI acontece em São Paulo, de 4 a 6 de maio, no Villa Glam, em Moema. É uma realização da ABIPTI, e conta com o patrocínio do ICTi Itaú Unibanco, Finep, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e CNPq, reunindo ICTs, governo, setor produtivo e academia para debater soberania tecnológica e inovação.